O que é CDI e por que ele aparece em tudo
Se você já viu ‘rende 100% do CDI’ em algum anúncio e não entendeu o que isso significa, essa explicação é para você.
O que o CDI representa
CDI é a sigla para Certificado de Depósito Interbancário, a taxa usada em empréstimos entre bancos de um dia para o outro. Ela costuma andar muito próxima da taxa Selic, com uma diferença mínima entre elas.
Como referência de mercado, o CDI virou o termômetro padrão para comparar o rendimento de investimentos de renda fixa entre si, independente do banco ou corretora que oferece.
Como ler ‘percentual do CDI’
Quando um CDB anuncia 100% do CDI, significa que ele rende exatamente o que o CDI render no período. Se anuncia 120% do CDI, rende vinte por cento a mais que essa referência.
Isso permite comparar produtos de bancos diferentes de forma justa: dois CDBs, um a 95% e outro a 110% do CDI, têm rendimentos bem diferentes mesmo parecendo similares à primeira vista.
O que considerar além do percentual
Um CDB a 120% do CDI com vencimento em cinco anos e sem liquidez diária não serve para o mesmo objetivo que um CDB a 100% do CDI com liquidez diária.
Antes de comparar só pelo percentual, sempre olhe também o prazo de vencimento, a liquidez e se o produto está coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos.
- CDI é a referência mais usada para comparar renda fixa
- 100% do CDI significa render igual à taxa CDI do período
- Percentuais maiores geralmente vêm com prazos mais longos
- Sempre olhe também liquidez e cobertura do FGC, não só o percentual
- CDI costuma acompanhar de perto a taxa Selic
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Nada é salvo, é só pra você visualizar o que faz sentido na sua realidade.
Uma pergunta antes de continuar
Da próxima vez que você ver ‘rende X% do CDI’ em algum anúncio, você já vai saber comparar. Isso muda a forma como você lê qualquer oferta de investimento daqui pra frente.
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Ver mais conteúdos →De onde o CDI vem, na prática
Todo dia, no fim do expediente, os bancos precisam fechar o caixa equilibrado. Alguns terminam o dia com dinheiro sobrando, outros com dinheiro faltando. Para resolver isso, emprestam uns aos outros por um único dia. A taxa média dessas operações de um dia é o CDI — Certificado de Depósito Interbancário.
É por isso que o CDI anda quase colado na Selic: ambos refletem o custo do dinheiro de curtíssimo prazo na economia. Quando o Copom mexe na Selic, o CDI acompanha em questão de dias. Em setembro de 2026, com a Selic em 13,75% ao ano, o CDI opera num patamar bem próximo disso.
Em uma frase: a Selic é a taxa que o Banco Central define; o CDI é a taxa que o mercado pratica entre bancos, seguindo de perto a Selic. Você não investe “no CDI” — você investe em produtos que prometem entregar um percentual dele.
Como ler “110% do CDI” sem se enganar
Quando um CDB anuncia 110% do CDI, ele está dizendo: qualquer que seja o CDI no período, você recebe 110% disso. Não é uma taxa fixa — é uma taxa que se move junto com a economia.
Três leituras que evitam decisões ruins:
- Percentual maior nem sempre é melhor. 115% do CDI com carência de dois anos pode ser pior, para o seu caso, do que 100% do CDI com liquidez diária — se você precisar do dinheiro antes.
- O percentual pode ser escalonado. Alguns produtos pagam pouco no início e mais depois de um prazo. A média efetiva é menor do que o número em destaque.
- O CDI muda. 100% do CDI hoje significa algo bem diferente de 100% do CDI num cenário de Selic baixa. O percentual é estável; o resultado, não.
Por que o CDI virou a régua de tudo
O CDI se tornou o ponto de comparação do mercado porque representa o rendimento de referência de baixíssimo risco e prazo curtíssimo. A pergunta que todo investidor acaba fazendo é a mesma: este investimento entrega mais do que eu teria sem correr risco nenhum?
Daí nasce o conceito mais útil de todos para quem está começando:
- Se algo rende menos que o CDI e tem risco maior, não faz sentido.
- Se rende perto do CDI com risco parecido, a diferença está na liquidez, no imposto e nas taxas.
- Se promete muito acima do CDI, existe um risco em algum lugar. Sempre. O trabalho é descobrir onde antes de aplicar, não depois.
Essa terceira linha é o melhor detector de golpe financeiro que existe. Promessa de retorno muito acima do CDI, com garantia de ganho e sem risco explicado, não é oportunidade: é sinal de alerta.
O imposto muda a conta
Aplicações de renda fixa atreladas ao CDI seguem a tabela regressiva de imposto de renda, que cai conforme o dinheiro fica aplicado: 22,5% até 180 dias, 20% até 360 dias, 17,5% até 720 dias e 15% acima disso. O imposto incide só sobre o rendimento, nunca sobre o valor aplicado.
Isso significa que a comparação honesta é sempre líquida. Um produto isento de imposto, como LCI e LCA, pode entregar mais no bolso pagando um percentual menor do CDI do que um CDB com percentual maior e imposto na saída.
O que checar antes de aplicar em qualquer produto atrelado ao CDI
- Liquidez: posso resgatar quando quiser ou existe carência?
- Prazo: qual a data de vencimento e o que acontece se eu sair antes?
- Imposto: tem IR? É isento? Tem IOF nos primeiros 30 dias?
- Garantia: está coberto pelo FGC, até R$ 250 mil por CPF por instituição?
- Emissor: quem é o banco? Percentual muito acima da média costuma vir de instituição menor, que paga mais porque precisa atrair dinheiro.
Referências: taxa Selic definida pelo Copom/Banco Central do Brasil (13,75% ao ano em setembro de 2026); tabela regressiva de IR conforme a Lei nº 11.033/2004; cobertura conforme o regulamento do Fundo Garantidor de Créditos. Conteúdo educativo, não é recomendação de investimento.